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O Coração da Terra Ainda Fala

silviarisilva
4 de jun.
4 min de leitura


Em cada batida do tambor ouça o coração da Terra, aquele pulso antigo que existia antes das palavras, antes dos nomes, antes do esquecimento.


O tambor não chama de fora, ele desperta o que sempre esteve dentro, o ritmo que seu sangue conhece desde o ventre do mundo.


Feche os olhos e deixe que essa batida atravesse os ossos, desça pelas solas dos pés, entre na terra escura e úmida onde as raízes guardam a memória de tudo que viveu.


Em cada sopro do vento sinta o sussurro dos ancestrais, vozes que não morreram mas se tornaram ar, que não desapareceram mas se tornaram o espaço entre as folhas.


Eles compartilham sabedoria com quem tem silêncio suficiente para ouvir, com quem se aquieta o bastante para perceber que há uma conversa acontecendo o tempo todo, em cada brisa, em cada corrente que toca a pele e some.


Escutai sua voz, pois ela nos guia para dentro dos nossos corações, não para fora, não para longe, mas para o lugar mais verdadeiro que existe, aquele que nunca foi ferido pelo tempo.


A natureza é um espelho de nossa própria jornada, e ela não mente.


Em cada folha que abre ao sol há uma parte de você que ainda quer florescer.

Em cada rio que desce a montanha sem hesitar há a lembrança de que você também nasceu sabendo o caminho.


Em cada montanha, nas suas curvas e retas, nos seus vales e picos, vemos nossas próprias caminhadas, os momentos em que o terreno foi suave e os momentos em que foi preciso subir sem ver o topo.


E nas tempestades que varrem o horizonte e nas calmarias que chegam depois, reconhecemos nossas próprias emoções, a fúria sagrada, o luto necessário, a paz que só vem quando se permite sentir tudo até o fundo.


O tambor da Terra nos chama ao presente. Sua batida é o ritmo da vida, e o ritmo da vida não mora no passado nem no futuro, ele mora aqui, neste exato momento em que você respira, em que seu coração bate, em que seus pés tocam o chão que seus antepassados também pisaram. Cada momento é sagrado porque cada momento é único, irrepetível, um fio do grande tecido que não pode ser desfeito.


Quando você está presente, você está participando da criação do mundo. Caminhe com respeito e gratidão pela Mãe Terra, por cada grão de areia que sustenta o seu peso, por cada gota de chuva que alimentou o alimento que alimentou o seu corpo, por cada árvore que respirou para que você pudesse respirar.


Ela nos sustenta com uma generosidade que não pede reconhecimento e que não falha, mesmo quando esquecemos dela, mesmo quando caminhamos sobre ela sem tocá-la de verdade, e no entanto ela continua, oferecendo tudo, sem guardar nada.


Que cada passo seja uma oração dita com os pés, que cada respiração seja um ato de reverência ao sopro que te foi dado no primeiro instante da tua existência.


Você não precisa ir a nenhum lugar sagrado, você já está em um lugar sagrado, o chão sob você é altar, o ar que entra e sai de você é incenso, o silêncio que mora entre seus pensamentos é o pátio do templo.


No silêncio encontre a sabedoria, aquela que não pode ser ensinada mas apenas lembrada, aquela que surge quando a mente para de correr e o coração começa a falar.


Na simplicidade descubra a profundidade, pois tudo que é essencial é simples como o nascer do sol, simples como a chuva que cai, simples como o amor que não precisa de explicação para ser reconhecido.


Que possamos ouvir o coração da Terra pulsando abaixo de nós como um tambor sem fim.


Que possamos ver em nós mesmos a beleza e a sabedoria da natureza, a resiliência da pedra, a flexibilidade do bambu, a paciência da semente que espera o momento certo para romper o solo.


Tudo que a natureza sabe, você já sabe, porque você é natureza, feito do mesmo barro e da mesma luz.


Seja um com a Terra, um com o vento, um com os ancestrais que caminham ao seu lado mesmo quando você não os vê.


Encontre seu ritmo, aquele que é só seu e ao mesmo tempo pertence a todos os que vieram antes.


Encontre sua voz, a que soa quando você está verdadeiramente quieto.


Encontre sua jornada, não a que alguém traçou para você, mas a que vai revelando seus próximos passos conforme você anda com coragem e com presença.


Despertai para a magia que já existe dentro de você, adormecida como brasa sob cinza, esperando apenas um sopro de atenção para voltar a flamar.


Que a luz do Grande Espírito ilumine seu caminho como o raio de luar que atravessa a floresta e toca o chão sem barulho, trazendo paz ao seu coração que já carregou tantas tempestades, e clareza à sua mente que às vezes se perde nas histórias que ela mesma cria.


Que sua jornada seja guiada pela harmonia, não a harmonia que ignora o conflito, mas aquela que o atravessa e encontra do outro lado algo mais inteiro, mais verdadeiro, mais livre.


Uma harmonia tecida com todos os seres, com as pedras e os pássaros, com os invisíveis e os presentes, e com você mesmo, com toda a sua luz e com todas as suas sombras.


Lembre-se sempre de que somos todos parte do grande ciclo da vida, que o que nasce volta ao ventre e do ventre volta a nascer, que nada se perde no universo e tudo se transforma, que a separação é ilusão e a conexão é a única verdade permanente.


Estamos ligados pelo fio invisível do espírito universal, um fio que não se rompe mesmo quando esquecemos que ele existe, um fio que vibra em cada tambor, em cada vento, em cada batida do seu coração que, sem que você precise fazer nada, segue pulsando em perfeita comunhão com o pulso do mundo.


Raio de Luar!


Fonte: Reiny Kamanishy - Raio de Luar Mentor Espiritual

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