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O Estado de Consciência Primordial na Condução do Guardião

  • silviarisilva
  • há 3 dias
  • 16 min de leitura




Há trabalhos espirituais em que a consciência encarnada não é apenas conduzida a relaxar, silenciar ou refletir. Ela é chamada a atravessar uma zona mais profunda de si mesma. Nesses momentos, a pessoa não entra somente em meditação; ela entra em uma condição de recolhimento em que as camadas comuns da existência diminuem sua força de comando.


O pensamento não desaparece, mas deixa de ocupar o centro. A emoção não é negada, mas fica suspensa em uma serenidade rara. O corpo não é abandonado, mas repousa em uma espécie de confiança silenciosa. A história pessoal continua existindo, mas já não pesa com a mesma intensidade. A consciência, então, toca algo anterior ao sofrimento organizado pela personalidade: toca a própria essência.


Quando esse acesso acontece em um trabalho conduzido pelo Guardião, com a música da Guardiã Serena sustentando o movimento espiritual, o fenômeno precisa ser compreendido como uma operação de alinhamento, não como simples efeito emocional de uma música bonita ou de palavras bem colocadas. A música, nesse contexto, não atua apenas sobre o ouvido. A condução não atua apenas sobre a imaginação. A presença espiritual não atua apenas como inspiração. Tudo se organiza como um campo de passagem.


Quando falo em campo de passagem, refiro-me à estrutura energética temporária formada durante o trabalho para permitir que a consciência atravesse suas camadas mais externas sem se desorganizar. Esse campo não é o ambiente físico, embora possa usar o ambiente físico como ponto de apoio. Ele é uma atmosfera espiritual criada pela soma da intenção elevada, da condução do Guardião, da frequência da música ligada à Guardiã Serena, da abertura íntima da pessoa e da proteção das equipes espirituais responsáveis. Sua função é sustentar a travessia entre a consciência comum e uma região mais primordial da alma.


Esse estado primordial não deve ser confundido com fuga, transe inconsciente ou anestesia. A consciência primordial não é ausência de vida; é vida sem tantas distorções. A pessoa não deixa de existir como encarnada, mas por alguns instantes deixa de estar limitada ao personagem que costuma defender. Ela não perde sua identidade; apenas toca um núcleo mais verdadeiro que existe antes das justificativas, dos medos, das dores repetidas, das memórias que pesam e das emoções que costumam comandar suas respostas.


No estado comum, a consciência vive muito identificada com suas camadas de reação. O campo mental interpreta, julga, compara, duvida, antecipa, teme, controla. O campo emocional reage, guarda mágoas, sustenta culpas, cria defesas, busca proteção, teme novas dores. O campo vital carrega o impacto disso no corpo, na respiração, no cansaço, na tensão, na vitalidade e na disposição. O campo espiritual profundo permanece presente, mas muitas vezes não consegue falar com clareza porque as camadas externas fazem muito ruído.


Aqui é importante especificar cada campo. Campo mental é a faixa da consciência ligada aos pensamentos, imagens internas, crenças, narrativas, dúvidas, argumentos e defesas intelectuais. Campo emocional é a faixa onde se movem sentimentos, reações afetivas, feridas, medos, carências, culpas, ressentimentos e sensibilidades. Campo vital é a camada energética que sustenta a presença no corpo físico, a respiração, o vigor, a circulação fluídica e a estabilidade encarnatória. Campo espiritual profundo é a região mais íntima da consciência, onde a alma guarda sua direção essencial, sua memória de Luz, sua capacidade de reconhecer a verdade sem tantas deformações. Campo sonoro espiritual, neste estudo, é a estrutura vibratória criada pela música quando ela é sustentada por uma intenção espiritual elevada e por uma presença guardiã responsável. Campo de condução é a linha espiritual organizada pelo Guardião que orienta a consciência durante o processo.


A música da Guardiã Serena, dentro desse entendimento, não deve ser vista como simples fundo sonoro. Quando uma música nasce ou é utilizada dentro de um propósito espiritual sério, ela carrega um padrão. Esse padrão não depende apenas da melodia, mas da intenção que a sustenta, da vibração que a atravessa e da equipe espiritual que a utiliza. A música pode funcionar como uma espécie de leito fluídico. Ela envolve o campo pessoal da pessoa, reduz a aspereza das camadas emocionais, suaviza a agitação mental e cria uma continuidade energética que ajuda a consciência a não se dispersar.


A música, nesse caso, não empurra. Ela sustenta. Não força a pessoa a sentir algo. Ela oferece uma ambiência. A Guardiã Serena, por sua natureza de firmeza, ordem, justiça e profundidade espiritual, imprime uma qualidade vibratória que não é sentimentalismo. É uma serenidade com eixo. Essa vibração não apenas acalma; ela organiza. Não apenas conforta; ela chama a consciência para uma postura mais verdadeira.


Por isso, quando a música dela acompanha um trabalho conduzido pelo Guardião Rodrigo, o campo sonoro espiritual pode se tornar uma base segura para que a alma atravesse zonas internas que normalmente seriam defendidas pela emoção ou pelo pensamento.


O Guardião Rodrigo, nesse processo, atua como condutor. A condução espiritual é diferente de influência emocional. Influenciar emocionalmente seria mexer na sensibilidade da pessoa até ela se emocionar. Conduzir espiritualmente é sustentar uma direção. O Guardião não precisa dominar a consciência. Ele não toma o lugar da vontade da pessoa. Ele não força abertura. Ele cria uma linha de passagem e chama a alma a caminhar por ela. Essa linha de passagem pode ser percebida como uma sequência de palavras, comandos espirituais, silêncio, presença, firmeza ou vibração. O essencial não está apenas no que é dito, mas no lugar espiritual de onde a fala parte.


Quando a fala do Guardião Rodrigo encontra a música da Guardiã Serena, forma-se uma combinação muito específica. A música cria o campo de sustentação; a fala cria o eixo de direção. A música envolve; a fala conduz. A música sereniza as bordas do campo emocional; a fala atravessa o campo mental com precisão. A música abre uma ambiência de confiança; a fala chama a consciência para dentro de si. A música reduz a dispersão; a condução impede que a pessoa fique apenas em relaxamento passivo. Juntas, elas formam um corredor espiritual.


Esse corredor espiritual não é um portal externo no sentido de conduzir espíritos ou resíduos para outro plano. É uma passagem interna sustentada. Ele liga a percepção comum da pessoa ao seu campo espiritual profundo. Essa distinção é importante. Nem todo trabalho de elevação de consciência exige abertura de portal espiritual. Às vezes, o que se abre é uma via de interiorização. A pessoa não é levada para fora de si; é reconduzida ao centro de si. A sensação pode parecer cósmica, ampla, universal, mas o ponto verdadeiro é íntimo. A consciência se expande porque deixa de se contrair nas camadas de defesa.


O primeiro movimento desse processo é a pacificação do campo vital. Antes de tocar regiões profundas, o corpo precisa receber um sinal de segurança. Enquanto o corpo permanece em prontidão, a consciência dificilmente atravessa suas defesas. A música atua muito nessa etapa. O ritmo, a suavidade, a continuidade sonora e a vibração espiritual reduzem a tensão que o corpo carrega sem perceber. A respiração começa a mudar. Os ombros soltam um pouco. A face perde rigidez. O ventre pode relaxar. A pessoa deixa de responder ao ambiente como se precisasse se proteger a todo instante.


Fisicamente, essa etapa pode ser percebida como tranquilidade, calor suave, leveza, sono leve sem perda de consciência, respiração mais profunda ou sensação de repouso. Mas o corpo não está apenas “relaxando”. Ele está saindo de um estado de defesa. Isso permite que o campo vital reorganize sua circulação. Quando a vitalidade deixa de ser consumida por tensão, sobra energia para sustentar a experiência interior. O corpo se torna aliado do processo, não obstáculo.


Depois, o campo emocional começa a ser serenizado. Essa serenização não significa apagar sentimentos. Significa reduzir a força com que eles comandam a percepção. Muitas pessoas não conseguem tocar a essência porque antes de chegar a ela encontram medo, culpa, tristeza, ansiedade, vergonha, raiva, saudade ou carência. Essas emoções se levantam como guardiãs feridas da personalidade. Elas dizem: “não passe daqui, porque há dor”. A música da Guardiã Serena, quando sustentada espiritualmente, pode envolver essa camada de modo firme e acolhedor, como se dissesse à emoção: “você não precisa proteger a alma por meio da tensão; agora há uma força maior sustentando”.


A emoção, então, não é violentada. Ela se aquieta. Esse aquietamento é fundamental. Se a emoção fosse reprimida, haveria endurecimento. Se fosse estimulada demais, haveria drama. O trabalho verdadeiro não faz nenhuma das duas coisas. Ele cria uma faixa de confiança onde a emoção pode repousar sem precisar desaparecer. A pessoa pode sentir lágrimas, mas são lágrimas de soltura, não de desespero. Pode sentir paz, mas uma paz com profundidade, não apenas alívio superficial. Pode sentir uma tristeza antiga se dissolvendo, sem precisar contar toda a história dela.


Em seguida, o campo mental começa a perder rigidez. É aqui que a condução do Guardião Rodrigo se torna especialmente importante. O campo mental costuma querer entender, controlar, analisar, comparar, duvidar, nomear e classificar a experiência. Ele pergunta: “o que está acontecendo?”, “isso é real?”, “estou imaginando?”, “o que devo sentir?”, “vou conseguir?”, “isso vem de mim ou de fora?”. Essas perguntas, quando se tornam excesso, impedem o aprofundamento. A fala espiritual bem conduzida não briga com a mente. Ela cria um caminho tão claro que a mente não precisa se defender.


A palavra do Guardião, quando nasce de autoridade espiritual verdadeira, carrega uma frequência de ordem. Ela não entra apenas como informação. Ela entra como alinhamento. A mente escuta, mas também sente que há direção. O pensamento não é humilhado, não é descartado, não é tratado como inimigo. Ele simplesmente deixa de ser o dirigente principal. É como se a consciência dissesse ao pensamento: “agora você pode descansar; eu vou ouvir de um lugar mais profundo”.


Nesse instante, pode surgir a sensação de que a fala não encontra barreira. Isso acontece porque o campo emocional não está levantando defesa e o campo mental não está criando argumento. A fala atravessa as camadas externas e toca o campo espiritual profundo. Quando toca, não precisa convencer. A essência reconhece. Esse reconhecimento não é entusiasmo. É uma certeza silenciosa. A pessoa pode sentir que aquela orientação não veio para agradá-la, mas para recolocá-la no lugar verdadeiro.


A consciência primordial começa a emergir quando o campo espiritual profundo deixa de estar coberto pelas respostas automáticas da personalidade. Esse campo espiritual profundo não é uma região distante. Ele é o centro mais verdadeiro da alma. Mas, na vida encarnada comum, esse centro fica envolvido por histórias, defesas, preocupações, marcas e identificações. A pessoa se acostuma a dizer “eu sou assim”, quando muitas vezes está apenas repetindo uma camada ferida.


O estado primordial revela, ainda que por instantes, que há um “eu espiritual” mais antigo, mais simples, mais amplo e mais verdadeiro do que os condicionamentos.


Essa experiência pode trazer a sensação de não sentir o peso desta existência ou de outras. Isso não significa que os registros foram apagados. Significa que a consciência foi elevada acima do ponto onde esses registros exercem pressão. O peso das existências está ligado à identificação com experiências, culpas, dores, papéis, vínculos e memórias.


Quando a pessoa toca a essência, ela percebe que existe antes de tudo isso. Não antes no tempo cronológico, mas antes em profundidade. A dor passa a ser algo vivido pela alma, não a definição da alma.


Esse é um ponto central. A consciência primordial não nega a reencarnação, a história, o sofrimento, a responsabilidade ou os compromissos espirituais. Ela apenas mostra que a alma não é reduzida a eles. Quando essa percepção acontece, o campo emocional perde parte do peso que carregava. O campo mental deixa de sustentar narrativas absolutas. O campo vital respira melhor. O campo espiritual profundo emite uma presença mais clara. A pessoa sente, ainda que não consiga explicar, que existe uma verdade interior que permaneceu viva apesar de tudo.


A ajuda externa participa do processo, mas não substitui a abertura íntima. A música da Guardiã Serena pode sustentar o campo. O Guardião Rodrigo pode conduzir. Mentores podem proteger. A equipe espiritual pode afastar interferências, ajustar a malha energética, reduzir pressões e amparar o corpo durante a experiência. Mas a consciência precisa permitir. Sem essa permissão, o trabalho toca a superfície, mas não atravessa. A abertura pode vir pela fé, pela confiança, pela sinceridade, pela necessidade real, pela humildade ou por uma entrega profunda que a pessoa talvez nem saiba nomear.


O mérito da pessoa está nessa entrega. O mérito da equipe está na condução responsável. Quando os dois movimentos se encontram, o acesso acontece com mais segurança. Se fosse apenas esforço da pessoa, poderia haver tensão ou imaginação. Se fosse apenas ação espiritual externa, seria violação da liberdade. O trabalho correto une assistência e consentimento. A Ordem da Luz não arranca a alma de suas camadas. Ela oferece passagem. A consciência atravessa quando reconhece que pode confiar.


Durante esse processo, a malha energética também se comporta de modo diferente. A malha energética é a trama sutil que mantém o campo pessoal integrado, protegendo sem impedir troca, permitindo sensibilidade sem exposição excessiva. Em estado comum, quando a pessoa está ansiosa, ferida ou defensiva, essa malha pode ficar rígida, contraída ou irregular. Em um trabalho conduzido com seriedade, a música e a presença espiritual tornam essa malha mais flexível. Ela não se rompe; ela se abre de forma ordenada. Essa abertura permite que a Luz alcance camadas internas sem que a pessoa fique vulnerável.


A atuação dos Guardiões é justamente manter abertura com proteção. Essa é uma arte espiritual elevada. Abrir sem proteger expõe. Proteger sem abrir endurece. A condução do Guardião Rodrigo, sustentada pela vibração de Serena, tende a criar uma abertura protegida: a pessoa entra em profundidade, mas não fica solta no campo espiritual. Ela recolhe-se, mas não se perde. Ela expande, mas continua amparada. Ela silencia, mas permanece consciente. Esse equilíbrio diferencia uma experiência espiritual séria de um transe confuso.


O campo sonoro espiritual atua como uma espécie de margem. A música segura a continuidade. Se a pessoa se emociona, a música não deixa que ela caia em drama. Se a mente tenta voltar ao controle, a música continua chamando para o recolhimento. Se o corpo se agita, a música oferece ritmo de assentamento. Se a consciência se aproxima da essência, a música sustenta a permanência suave. Por isso, a música da Guardiã Serena pode ser entendida como uma presença vibratória que prepara e conserva o espaço interno.


A condução do Guardião Rodrigo atua como direção consciente. Sem direção, a pessoa poderia apenas relaxar ou sonhar. Com direção, o recolhimento tem finalidade. A fala do Guardião pode nomear estados, chamar a consciência, orientar a entrega, corrigir desvios internos, impedir dispersões e conduzir a alma a reconhecer sua própria origem luminosa. A palavra, nesse caso, funciona como chave. Mas a chave só abre porque existe porta interna disponível e porque o campo foi preparado.


O corpo físico participa de tudo isso de modo muito sensível. Quando o campo vital se estabiliza, o sistema corporal reduz sinais de defesa. A respiração muda porque a consciência não está mais presa à urgência. O peito pode parecer mais amplo porque a emoção deixa de comprimir. A cabeça pode ficar mais leve porque o campo mental diminui sua rotação. A coluna pode buscar alinhamento espontâneo, como se o corpo respondesse ao eixo espiritual. As mãos podem aquecer, porque a circulação energética se distribui melhor. Os olhos podem lacrimejar, não apenas por emoção, mas pela descarga de tensão sutil.


Algumas pessoas sentem leveza, outras peso agradável, outras silêncio, outras expansão, outras uma sensação de estar acima das preocupações sem desprezar a vida. Isso varia conforme a estrutura de cada uma. Mas, quando o fenômeno é real e bem conduzido, existe um sinal comum: a pessoa não sai inflada. Sai tocada. Não sai querendo se exibir. Sai mais recolhida. Não sai achando que se tornou especial. Sai com uma espécie de respeito pelo que viveu. Esse respeito é sinal de que a essência foi tocada, não apenas a emoção.


Quando o estado primordial se abre, a pessoa pode perceber que não há barreira entre a orientação espiritual e o centro íntimo. Isso acontece porque as barreiras habituais são feitas de defesa. A emoção defende feridas. A mente defende ideias.


O corpo defende sobrevivência. A personalidade defende imagem. Quando, por alguns instantes, essas defesas percebem que não estão sob ameaça, elas se retiram da frente. A fala espiritual então alcança uma região onde a alma não precisa se proteger contra a verdade. Ali, a verdade não fere; liberta. Mesmo quando corrige, não humilha. Mesmo quando mostra algo sério, não destrói.


Esse tipo de experiência pode ser profundamente curativo porque muda a referência interna. Antes, a pessoa talvez se orientasse pelas próprias dores. Depois, passa a saber que existe um lugar dentro dela onde a dor não governa. Antes, acreditava que o pensamento era absoluto. Depois, percebe que há lucidez além do pensamento repetitivo. Antes, carregava o peso da existência como se fosse sua identidade. Depois, ainda pode carregar responsabilidades, mas já não se confunde totalmente com elas.


Entretanto, é necessário compreender que esse estado não é dado para a pessoa abandonar a vida comum. Ele é dado para que a vida comum seja reorganizada. A consciência não deve desejar permanecer eternamente naquele estado enquanto encarnada. Isso seria tentar usar a espiritualidade como fuga. O objetivo é trazer a essência para a vida. O contato profundo deve descer para a palavra, para a escolha, para o cuidado com o corpo, para a forma de se relacionar, para a disciplina mediúnica, para a humildade, para o serviço. Se a experiência não se transforma em vida mais verdadeira, ela fica como lembrança bonita, mas não cumpre sua função completa.


A integração começa quando a pessoa retorna do estado primordial e permite que o campo mental compreenda sem aprisionar. Não é necessário explicar tudo imediatamente. Algumas experiências perdem pureza quando são analisadas com pressa. A mente precisa receber a experiência como semente, não como objeto de controle. Depois, pouco a pouco, ela traduz: “eu não sou apenas minha emoção”, “eu posso ouvir a verdade sem me defender”, “há um centro em mim que permanece”, “a Luz não me violenta, ela me chama”, “posso voltar à vida sem abandonar essa referência”.


O campo emocional também precisa integrar. Depois de uma experiência assim, certas emoções podem se mover. Uma tristeza antiga pode perder peso. Uma culpa pode pedir reparação mais madura. Um medo pode diminuir sua autoridade. Uma defesa pode parecer desnecessária. Mas isso não significa que todas as emoções estarão curadas de uma vez. O acesso primordial mostra a direção; a cura emocional ainda exige continuidade. A diferença é que agora a pessoa já sabe que existe um ponto mais profundo a partir do qual pode olhar para as emoções.


O campo vital integra por meio do corpo. A pessoa pode precisar de repouso, água, silêncio, alimentação simples, respiração tranquila e algum tempo sem excesso de estímulo. O corpo físico carrega a experiência de modo próprio. Se a consciência tocou uma faixa muito profunda, o corpo precisa assentar. Voltar imediatamente a discussões, ruídos, redes, pressa ou ambientes densos pode dispersar parte da energia recebida. A integração física pede delicadeza. Não por fragilidade, mas por respeito à reorganização.


O campo espiritual profundo integra por fidelidade. Isso significa que a pessoa deve honrar o que reconheceu. Se, durante o acesso, sentiu uma verdade, depois não deve voltar a traí-la com as mesmas desculpas. Se percebeu que determinada defesa não era mais necessária, precisa começar a abandoná-la. Se sentiu chamado à responsabilidade, deve responder com atitude. A essência não exige espetáculo. Ela pede coerência. Pequenas escolhas após uma grande experiência mostram se a experiência encontrou morada.


No trabalho da Ordem da Luz, uma experiência de consciência primordial não é prêmio nem demonstração de superioridade. É oportunidade. A equipe espiritual permite ou sustenta esse acesso para que a pessoa recorde sua natureza mais verdadeira e, a partir dela, reorganize as camadas da existência. O Guardião Rodrigo, como condutor, não chama a pessoa para fora da vida, mas para dentro do centro que pode conduzir melhor a vida. A música da Guardiã Serena não embala fuga, mas sustenta retorno à verdade interna. A presença espiritual não substitui esforço; fortalece a capacidade de escolher com mais clareza.


Há uma beleza profunda nessa combinação. Rodrigo conduz com direção; Serena sustenta com ordem vibratória; a pessoa abre com fé; a equipe espiritual protege; a essência responde. Nenhuma dessas partes deve ser isolada como única causa. O fenômeno nasce do encontro. A pessoa não foi passiva, porque precisou permitir. O Guardião não foi apenas observador, porque conduziu. A música não foi apenas som, porque sustentou o campo. A equipe não foi apenas companhia, porque protegeu a passagem. A essência não foi criada, porque já existia. Tudo se organizou para que ela pudesse ser percebida.


Quando a pessoa diz que, naquele estado, não sentia os sentimentos nem o peso das existências, isso pode ser entendido como suspensão da identificação. Os sentimentos continuavam existindo em potencial, mas não estavam dominando. As existências continuavam registradas na alma, mas não estavam comprimindo a consciência. O corpo continuava presente, mas não estava sustentando defesa. A mente continuava capaz de pensar, mas não precisava comandar. Essa suspensão permite que a consciência experimente a própria natureza sem o volume habitual das camadas intermediárias.


Essa experiência pode ser rara, mas não deve ser tratada como inalcançável. Ela acontece quando há alinhamento suficiente. Às vezes, surge em meditações profundas. Às vezes, diante de uma fala espiritual direta. Às vezes, em momentos de oração verdadeira. Às vezes, depois de grande entrega. Às vezes, em trabalhos conduzidos por Guardiões, quando a pessoa está preparada para reconhecer algo essencial. Mas ela não deve ser forçada. Toda tentativa de fabricar esse estado por ansiedade cria tensão, e tensão fecha a passagem.


A melhor forma de se preparar para acessos mais verdadeiros não é perseguir experiências, mas limpar a vida. Reduzir mentira interior. Observar emoções sem obedecer a todas. Educar pensamentos repetitivos. Cuidar do corpo. Evitar fascínio espiritual. Servir com humildade. Estudar sem orgulho. Orar sem teatralidade. Aceitar correção. Silenciar quando necessário. Essas atitudes tornam o campo pessoal mais transparente. Quanto mais transparente o campo pessoal, menos esforço é necessário para que a essência seja percebida.


O estado primordial não é uma sala secreta reservada a poucos. É a profundidade da própria consciência quando ela para de se defender da Luz. O Guardião Rodrigo pode conduzir até a porta. A música da Guardiã Serena pode sustentar o ambiente interno. Os mentores podem proteger o percurso. Mas atravessar depende de uma entrega que não é passividade; é confiança ativa. A alma permite ser tocada sem se esconder atrás de suas histórias.


E quando esse toque acontece, algo muda. Mesmo que a pessoa volte a sentir medo, tristeza, dúvida ou cansaço, ela já possui uma lembrança interna de que existe mais. Não uma ideia de que existe mais, mas uma experiência. Essa experiência se torna referência. Nos momentos difíceis, a consciência pode recordar: “há um lugar em mim que não é destruído por isso”. Essa recordação não elimina a prova, mas impede que a prova seja confundida com a totalidade do ser.


Esse é o valor espiritual mais profundo do trabalho. A consciência primordial revela a alma a si mesma. A condução do Guardião Rodrigo oferece direção para que esse encontro não se perca em fantasia. A música da Guardiã Serena oferece sustentação para que a travessia não se torne emoção desordenada. O campo espiritual do trabalho protege a abertura para que a pessoa não fique vulnerável. O corpo participa, relaxando suas defesas. A mente participa, cedendo o controle. A emoção participa, repousando. A essência participa, emergindo.


O resultado verdadeiro não é apenas sentir paz durante o vídeo, a música ou a condução. O resultado verdadeiro é a pessoa voltar ao cotidiano com uma medida nova de si. Não uma medida vaidosa, mas mais profunda. Ela compreende que não precisa obedecer a todas as dores. Não precisa transformar cada pensamento em verdade. Não precisa carregar as existências como condenação. Não precisa fugir do corpo para ser espiritual. Não precisa negar emoções para encontrar a essência. Precisa apenas aprender a viver a partir de um centro mais verdadeiro.


Assim, o estado de consciência primordial, quando sustentado pelo Guardião Rodrigo e pela música da Guardiã Serena, pode ser compreendido como uma abertura assistida da alma para sua própria origem luminosa. Uma abertura em que a música cria o campo, a palavra conduz o eixo, a equipe protege a passagem, o corpo relaxa, a mente silencia, a emoção repousa e a essência se reconhece. Não é fuga da existência. É retorno ao ponto interno de onde a existência pode ser vivida com mais verdade, mais responsabilidade, mais serenidade e mais fidelidade à Luz.



Fonte: Reiny Kamanishy - Guardiões da Ordem da Luz



 
 
 

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