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Por que Tantos Médiuns Preferem as Desculpas em Vez de Fazer o Correto

  • silviarisilva
  • há 3 dias
  • 16 min de leitura


Dentro do trabalho dos Guardiões da Ordem da Luz, a mediunidade não é tratada como adorno espiritual, talento especial, sinal de superioridade ou prova de importância pessoal.


A mediunidade é uma responsabilidade de presença. Isso significa que ela não se resume a sentir energia, perceber espíritos, receber intuições, incorporar, ver, ouvir ou participar de um grupo. Ela começa antes de tudo isso, na forma como a consciência encarnada se posiciona diante daquilo que já sabe que precisa corrigir em si mesma.


O ponto mais delicado não está no médium que ainda não compreende. Está no médium que compreende o suficiente para agir melhor, mas prefere construir argumentos para continuar agindo do mesmo modo.


A desculpa é uma forma de defesa da personalidade. Ela nasce quando a consciência percebe a exigência da Lei, sente o chamado da própria responsabilidade, mas não quer atravessar o desconforto da mudança.


A pessoa sabe que deveria estudar mais, silenciar mais, vigiar mais o pensamento, corrigir determinada postura, abandonar certas vaidades, respeitar melhor o grupo, ouvir melhor a equipe espiritual, controlar a impulsividade, não se colocar no centro, não transferir culpa, não dramatizar suas dificuldades, não usar suas dores como licença para desorganizar o trabalho. Mas, ao chegar diante desse ponto, em vez de dizer “eu preciso amadurecer”, ela diz “eu sou humano”.


Essa frase, quando usada com humildade verdadeira, pode ser uma confissão honesta da própria limitação. Mas, quando usada como escudo contra a responsabilidade, torna-se uma das desculpas mais perigosas dentro da vida mediúnica.


O problema não está em reconhecer a humanidade, o problema está em usar a humanidade como autorização para permanecer inferior ao próprio dever.


O médium é humano, sim. Tem cansaço, oscilações, dores, medos, traumas, irritações, confusões, limites emocionais e dias difíceis. A espiritualidade séria sabe disso. Os Guardiões da Ordem da Luz não exigem perfeição teatral, sorriso falso, santidade fabricada ou comportamento rígido sem sentimento.


Eles conhecem a estrutura íntima do trabalhador. Sabem onde há dor verdadeira, onde há fragilidade sincera, onde há dificuldade real, onde há processo de cura em andamento. Mas eles também veem com absoluta clareza quando a pessoa está usando a própria fragilidade como esconderijo para não obedecer à verdade que já recebeu.


Ser humano explica a luta, mas não justifica a negligência. Ser humano explica a queda, mas não santifica a repetição voluntária do erro. Ser humano explica a necessidade de aprendizado, mas não autoriza a consciência a transformar imaturidade em identidade. Quando o médium diz “sou humano” para fugir do próprio dever, ele não está sendo humilde; está tentando reduzir a exigência espiritual ao tamanho da sua comodidade.


A Lei espiritual não pune a humanidade do médium. A Lei registra o uso que ele faz da própria humanidade. Há uma diferença profunda entre o médium que cai e se levanta, e o médium que cai, explica, dramatiza, acusa, se vitimiza, repete e depois chama tudo isso de processo. O primeiro está em educação espiritual. O segundo está em negociação com a própria sombra.


No trabalho dos Guardiões, a sombra não é tratada como monstro externo, nem como força invencível. A sombra é a região da consciência onde a verdade já tocou, mas ainda não foi obedecida. É ali que nascem as desculpas. A desculpa aparece quando a pessoa quer manter a imagem de alguém comprometido, sem pagar o preço íntimo do compromisso. Ela quer continuar sendo vista como médium, trabalhadora, sensitiva, intuitiva, dedicada, escolhida, útil, mas não quer atravessar a disciplina que tornaria essa utilidade confiável.


A desculpa, então, funciona como uma maquiagem moral. Por fora, parece explicação. Por dentro, muitas vezes é resistência. O médium não diz claramente “não quero mudar”. Ele diz “estou cansado”, “estou passando por muita coisa”, “minha energia está pesada”, “não tive tempo”, “ninguém me entende”, “a espiritualidade sabe do meu coração”, “eu faço do meu jeito”, “ainda não estou preparado”, “quando for o momento certo eu vou melhorar”, “cada um tem seu tempo”, “sou humano”. Algumas dessas frases podem ser verdadeiras em determinados momentos. Mas a questão espiritual não é a frase em si. A questão é o uso que a consciência faz dela.


Quando uma frase verdadeira é usada para esconder uma escolha falsa, ela se torna instrumento de autoengano.


O médium pode estar cansado, mas ainda assim precisa ser honesto. Pode estar sofrendo, mas ainda assim precisa respeitar o trabalho. Pode estar confuso, mas ainda assim precisa estudar. Pode estar ferido, mas ainda assim não tem o direito de ferir o campo espiritual do grupo.


Aqui, quando uso “campo espiritual do grupo”, refiro-me ao conjunto vivo formado pela vibração mental, emocional, energética e moral dos trabalhadores reunidos para uma finalidade de serviço. Esse campo não é uma coisa vaga. Ele é sustentado pela intenção, pela disciplina, pela qualidade dos pensamentos, pelo equilíbrio das emoções, pela obediência às orientações superiores e pela presença real de cada participante. Quando um médium leva desculpas para dentro desse campo, ele não leva apenas palavras, leva uma postura interna que enfraquece a sustentação do trabalho.


A desculpa preferida, “sou humano”, costuma vir acompanhada de uma inversão sutil. O médium age como se a equipe espiritual tivesse obrigação de compreender suas falhas, enquanto ele não se sente obrigado a corrigir aquilo que a equipe já lhe mostrou. Ele quer acolhimento, mas rejeita correção. Quer proteção, mas recusa disciplina. Quer auxílio, mas não aceita renúncia. Quer sentir a presença dos Guardiões, mas não quer permitir que a presença deles reorganize sua conduta.


Isso cria um conflito profundo: o médium quer espiritualidade como amparo, mas não como autoridade moral.


Os Guardiões da Ordem da Luz não trabalham para alimentar a vaidade sensitiva de ninguém. Eles não se aproximam para confirmar caprichos, proteger orgulho, justificar desordem ou reforçar a ideia de que “o médium sente muito, então pode muito”. Ao contrário, quanto mais sensível é a pessoa, maior deve ser sua responsabilidade. A sensibilidade sem disciplina vira porta aberta. A intuição sem humildade vira interpretação contaminada. A percepção espiritual sem reforma íntima vira ruído. A mediunidade sem caráter vigilante vira instrumento instável, e instrumento instável não sustenta trabalho sério por muito tempo.


O médium que prefere desculpas geralmente não quer apenas escapar da correção, ele quer preservar uma imagem interna de bondade. Ele não quer se enxergar como negligente, orgulhoso, vaidoso, resistente ou indisciplinado. Então constrói uma narrativa onde sempre existe uma razão nobre para sua falha.


Se não estuda, é porque está sobrecarregado. Se chega despreparado, é porque a vida está difícil. Se não ouve orientação, é porque sente diferente. Se distorce uma percepção, é porque “foi o que veio”. Se cria conflito, é porque é sincero demais. Se fere alguém, é porque está em processo. Se abandona uma responsabilidade, é porque precisa se preservar. Se repete o mesmo erro por anos, diz que cada alma tem seu tempo.


Mas a Lei espiritual não se confunde com a narrativa que a pessoa conta sobre si mesma. A Lei lê movimento real. Ela observa se houve esforço, se houve humildade, se houve correção, se houve mudança de postura, se houve responsabilidade depois da advertência, se houve reparação depois do erro. A Lei não é convencida por explicações bonitas. A Lei responde à verdade vibratória da consciência.


Quando digo “verdade vibratória”, refiro-me ao estado real que a consciência emite a partir da união entre intenção, pensamento, emoção, escolha e atitude. Não é aquilo que a pessoa diz que é. É aquilo que ela sustenta quando ninguém está olhando. É a qualidade que aparece no modo como ela reage à contrariedade, à correção, à frustração, ao limite, ao silêncio da espiritualidade e à necessidade de servir sem ser vista.


A desculpa “sou humano” se torna grave diante das leis espirituais porque tenta transformar limite em licença. A Lei compreende o limite, mas não acolhe a licença para permanecer no erro consciente. A diferença é essencial. Limite é aquilo que a pessoa ainda não consegue vencer plenamente, mas enfrenta com sinceridade. Licença é aquilo que a pessoa já poderia começar a corrigir, mas prefere justificar. O limite pede auxílio, a licença cria dívida. O limite aproxima a equipe espiritual, porque há humildade, a licença afasta a sustentação superior, porque há insistência na autoconcessão.


A autoconcessão é uma das portas mais perigosas no campo mediúnico. Por campo mediúnico, aqui, refiro-me à área de intercâmbio entre a sensibilidade do médium, sua estrutura perispiritual, sua mente, suas emoções e as aproximações espirituais que se conectam a ele durante ou fora do trabalho.


Quando o médium se concede demais, ele vai criando pequenas permissões internas: hoje posso falar desse jeito, hoje posso alimentar esse pensamento, hoje posso faltar com a disciplina, hoje posso entrar no trabalho de qualquer maneira, hoje posso agir por impulso, hoje posso interpretar uma orientação conforme minha vontade. Essas pequenas permissões, repetidas, formam uma espécie de trilha energética e toda trilha energética repetida vira acesso.


É por isso que os obsessores não precisam dominar de uma vez o médium displicente. Eles apenas acompanham suas concessões. Observam suas preferências, suas irritações, suas vaidades, seus medos, seus pontos de orgulho, suas necessidades de reconhecimento, suas mágoas antigas, suas rejeições, suas antipatias dentro do grupo, suas justificativas favoritas. O obsessor inteligente não começa atacando a mediunidade de frente. Ele começa concordando com a desculpa.


Quando o médium diz “ninguém me entende”, o obsessor sopra: “é verdade, você é incompreendido”. Quando o médium diz “sou humano”, o obsessor acrescenta: “então não precisa se cobrar tanto”. Quando o médium diz “eu também tenho meus problemas”, o obsessor amplia: “e por isso você tem o direito de agir como quiser”. Quando o médium diz “não estou preparado”, o obsessor transforma em adiamento permanente. Quando o médium diz “não gosto de ser corrigido desse jeito”, o obsessor alimenta ofensa. Quando o médium diz “eu sinto que estou certo”, o obsessor fortalece a certeza sem discernimento.


O poder dos obsessores diante do médium displicente não nasce da força deles, mas da permissão repetida do próprio médium. Eles não criam do nada aquilo que a consciência não alimenta. Eles aproveitam matéria-prima interna. Se há orgulho, eles inflam. Se há preguiça espiritual, eles anestesiam. Se há vaidade mediúnica, eles elogiam por dentro. Se há rebeldia, eles dão argumentos. Se há mágoa, eles repetem mentalmente a cena. Se há necessidade de reconhecimento, eles sugerem que a pessoa está sendo injustiçada. Se há indisciplina, eles fazem a indisciplina parecer autocuidado. Se há fuga, eles chamam a fuga de tempo necessário.


Assim, a obsessão mais perigosa não é sempre aquela que derruba violentamente o médium. Muitas vezes é aquela que o mantém funcional, participando, falando de espiritualidade, sentindo energias, fazendo parte do grupo, mas cada vez menos obediente à própria consciência. Ele continua parecendo trabalhador, mas por dentro vai se tornando território de interferência. Não porque perdeu completamente a luz, mas porque abriu espaço para a distorção.


A equipe dos Guardiões observa isso com muita seriedade. Um médium displicente não prejudica apenas a si mesmo. Ele pode enfraquecer a firmeza do grupo, confundir orientações, contaminar percepções, dramatizar processos simples, criar divisões, aumentar suspeitas, interpretar correções como perseguições, transformar advertências em ofensas e fazer com que a energia do trabalho seja gasta corrigindo desordens que poderiam ter sido evitadas com humildade.


Há médiuns que dizem: “mas eu tenho boa intenção”. A boa intenção é importante, mas não substitui preparo. Uma pessoa pode ter boa intenção e ainda assim ser imprudente. Pode querer ajudar e mesmo assim atrapalhar. Pode amar a espiritualidade e ainda assim resistir à disciplina. Pode sentir presença espiritual e ainda assim interpretar mal. Pode ter coração generoso e ainda assim ser vaidosa, melindrosa ou instável. A Lei não despreza a boa intenção, mas também não a transforma em autorização para agir sem responsabilidade.


Outra desculpa frequente é: “a espiritualidade sabe do meu coração”. Sim, sabe. E justamente por saber, não se deixa enganar. Sabe quando o coração está ferido e precisa de cuidado. Sabe quando está sincero e lutando. Mas também sabe quando o coração está acomodado, orgulhoso, resistente, cheio de vontades próprias, querendo servir sem ser contrariado. Dizer que a espiritualidade sabe do coração não deveria tranquilizar o médium displicente; deveria torná-lo mais responsável. Porque o coração visto pela espiritualidade não é o coração que a pessoa apresenta aos outros. É o coração sem enfeite, sem discurso, sem máscara, sem justificativa.


Outra desculpa é: “eu faço o bem, isso basta”. Não basta quando a pessoa usa o bem que faz para encobrir o mal que insiste em não corrigir. O serviço espiritual não funciona como compensação moral barata. Um médium não pode dizer: “como ajudo em algumas coisas, posso negligenciar outras”.


O bem realizado tem valor, mas não compra o direito de permanecer cego onde a consciência já foi chamada a enxergar. Nos trabalhos dos Guardiões, a utilidade do trabalhador é medida pela confiabilidade, não apenas pela vontade de ajudar. Confiabilidade significa que a equipe espiritual sabe até onde pode contar com aquela consciência sem que ela misture vaidade, impulso, desorganização, melindre ou interesse pessoal no serviço.


Também existe a desculpa do “eu sinto assim”. Essa é muito comum em médiuns intuitivos ou energéticos. A pessoa sente algo e acredita que o sentir, por si só, já é verdade. Mas sentir não é concluir. Sentir é captar uma movimentação que ainda precisa passar por discernimento, silêncio, humildade e confirmação interior.


O campo emocional do médium, isto é, o conjunto de emoções, memórias afetivas, reações, carências, medos e desejos que vibram dentro dele pode interferir profundamente na interpretação mediúnica. Quando o médium não educa esse campo emocional, ele pode chamar de intuição aquilo que é ansiedade, chamar de aviso espiritual aquilo que é medo, chamar de orientação aquilo que é preferência pessoal, chamar de pressentimento aquilo que é antipatia, chamar de missão aquilo que é vaidade.


A desculpa “foi o que eu senti” não absolve a irresponsabilidade de não discernir. Os Guardiões não desprezam o sentir; eles educam o sentir. O médium maduro não abandona a sensibilidade, mas aprende a não obedecer cegamente a tudo que atravessa seu campo interno. Ele compreende que a mediunidade precisa de eixo. Quando uso “eixo”, refiro-me ao centro de consciência firme que permite ao trabalhador permanecer alinhado à verdade, à humildade, à disciplina e ao propósito do serviço mesmo quando emoções, impressões, pressões espirituais ou opiniões pessoais tentam desviá-lo.


Sem eixo, o médium vira eco. Eco do ambiente, eco dos espíritos, eco do grupo, eco das próprias feridas, eco das expectativas alheias. Com eixo, ele passa a ser instrumento. Instrumento não é passividade cega; é consciência educada a servir com firmeza.


Outra desculpa frequente é: “não tenho tempo”. Em muitos casos, a vida realmente exige muito. Há trabalho, família, cuidados, cansaço, responsabilidades materiais. A espiritualidade séria não ignora isso. Mas a pergunta espiritual é mais profunda: a pessoa não tem tempo ou não dá lugar? Porque para aquilo que alimenta sua vontade, muitas vezes ela encontra espaço. Para aquilo que confirma sua vaidade, ela encontra energia. Para aquilo que a distrai, ela encontra brecha. Mas para estudar, silenciar, vigiar a fala, preparar-se antes do trabalho, rever uma atitude, pedir desculpas, corrigir uma postura, ela diz que não consegue.


A falta de tempo pode ser uma realidade. Mas também pode ser a forma elegante da falta de prioridade. E diante da Lei, prioridade revela amor real. Não o amor falado, mas o amor organizado em atitudes.


Há ainda a desculpa do “meu jeito é assim”. Essa frase é uma das mais resistentes à transformação. O médium diz que é intenso, que fala mesmo, que não leva desaforo, que é sincero, que sempre foi assim, que quem gosta dele precisa aceitá-lo. Mas mediunidade não é licença para preservar temperamento bruto. O trabalho espiritual não existe para a personalidade continuar intacta. A personalidade precisa ser educada pela finalidade do serviço. Se o “meu jeito” fere, confunde, desorganiza, impõe, domina, humilha, dramatiza ou enfraquece, então não é autenticidade; é imaturidade defendida como identidade.


Os Guardiões da Ordem da Luz não pedem que o médium deixe de ser quem é. Pedem que ele deixe de confundir quem é com aquilo que precisa curar. Há pessoas que se apegam tanto às próprias reações que passam a chamá-las de essência. Mas essência não é grosseria, não é orgulho, não é vitimismo, não é teimosia, não é impulsividade. A essência se revela quando essas camadas começam a ser trabalhadas.


A desculpa protege o erro porque o erro dá algum tipo de ganho. Essa é uma verdade difícil. O médium mantém certas desculpas porque elas lhe oferecem vantagens ocultas. A desculpa evita o esforço. Evita o constrangimento de admitir falha. Evita o pedido de perdão. Evita a disciplina diária. Evita o estudo sério. Evita a necessidade de reconhecer que talvez sua percepção não estivesse tão limpa quanto imaginava. Evita a dor de perceber que a espiritualidade não está confirmando sua vontade. Evita a renúncia de certas posturas que dão sensação de poder.


Por isso, a desculpa não é apenas uma frase; é uma economia de transformação. A pessoa economiza mudança. Economiza humildade. Economiza responsabilidade. Economiza maturidade. Mas aquilo que ela economiza na consciência, paga depois no campo espiritual.


O médium displicente se torna previsível para os obsessores. E previsibilidade é vulnerabilidade. O obsessor sabe qual frase ativa sua irritação. Sabe qual pessoa no grupo desperta comparação. Sabe qual correção provoca melindre. Sabe quando ele está cansado e menos vigilante. Sabe como fazê-lo se sentir especial ou rejeitado. Sabe se ele prefere ser admirado a ser corrigido. Sabe se ele troca estudo por sensação. Sabe se ele gosta de fenômeno mais do que de responsabilidade. Sabe se ele tem medo de perder lugar. Sabe se ele se ofende quando não é consultado. Sabe se ele usa dor pessoal como salvo-conduto.


O poder do obsessor cresce quando o médium para de se observar. Não é necessário que o obsessor obrigue o médium a grandes quedas. Basta conduzi-lo a pequenas distorções constantes. Um pensamento de orgulho aqui, uma resistência ali, uma palavra atravessada, uma ausência sem preparo, uma intuição precipitada, uma mágoa alimentada por dias, uma comparação silenciosa, uma suspeita contra alguém do grupo, uma interpretação pessoal colocada como orientação espiritual. Com o tempo, essas pequenas distorções criam um clima interno. E clima interno repetido vira morada.


Aqui, quando falo em “clima interno”, refiro-me à atmosfera mental e emocional que a pessoa sustenta habitualmente. Alguns médiuns têm clima interno de serviço, mesmo com dificuldades. Outros têm clima interno de reclamação, defesa, comparação, insegurança, autoimportância ou vitimização. Os obsessores não entram apenas por atos graves; entram por climas repetidos.


A displicência mediúnica não é apenas faltar a um compromisso externo. É tratar como pequeno aquilo que espiritualmente é sério. É entrar no trabalho sem preparo íntimo. É falar demais antes de silenciar. É procurar fenômeno antes de buscar equilíbrio. É desejar função sem aceitar lapidação. É pedir orientação e rejeitar resposta. É afirmar que serve à Luz, mas resistir quando a Luz mostra o que precisa ser corrigido.


Diante das leis espirituais, a desculpa insistente cria uma espécie de testemunho contra a própria consciência. Porque cada desculpa repetida mostra que a pessoa sabe onde está o ponto de resistência. Se ela não soubesse, não precisaria justificar tanto. A justificativa excessiva denuncia que a verdade está próxima. O médium que precisa explicar demais por que não muda, geralmente já ouviu por dentro a voz que o chama à mudança.


Os Guardiões não condenam o médium por ter luta. Eles se aproximam do trabalhador que diz: “eu ainda erro, mas não quero mais me esconder atrás do erro”. Essa frase tem força espiritual. Ela abre passagem. Ela permite intervenção superior. Porque a humildade verdadeira cria acesso para a correção. Já a desculpa fecha o acesso, pois tenta convencer a própria consciência de que não há nada urgente a transformar.


Quando o médium abandona a desculpa, ele não se torna perfeito. Torna-se educável. E para os Guardiões, um médium educável vale mais do que um médium impressionante. O médium impressionante pode produzir fenômenos, palavras bonitas, percepções fortes, relatos marcantes. Mas, se não é educável, torna-se risco. O médium educável talvez ainda não veja, talvez ainda não ouça com clareza, talvez ainda não compreenda tudo, mas permite ser conduzido. Aceita correção. Estuda. Repara. Pergunta sem vaidade. Cala quando precisa. Assume quando erra. Não usa a própria dor como desculpa para ferir o trabalho.


A frase “sou humano” precisa ser recolocada em seu lugar correto. Ela deveria significar: “sou humano, por isso preciso vigiar; sou humano, por isso preciso estudar; sou humano, por isso não devo confiar cegamente nas minhas reações; sou humano, por isso preciso da equipe espiritual; sou humano, por isso devo ter humildade; sou humano, por isso posso cair, mas não devo fazer da queda uma casa; sou humano, por isso minha mediunidade precisa de disciplina, porque minha sensibilidade passa por uma personalidade ainda em educação”.

Quando dita assim, a frase deixa de ser desculpa e se torna compromisso.


O médium que se desculpa demais precisa perguntar a si mesmo com coragem: “o que eu ganho permanecendo assim?” Essa pergunta corta a fantasia. Porque toda resistência tem ganho oculto. Talvez o ganho seja não ser contrariado. Talvez seja continuar sendo cuidado por todos. Talvez seja manter lugar de vítima. Talvez seja evitar o esforço do estudo. Talvez seja preservar a sensação de importância. Talvez seja não reconhecer que alguém mais simples enxergou melhor. Talvez seja continuar confundindo intensidade emocional com profundidade espiritual.


No trabalho dos Guardiões da Ordem da Luz, a maturidade mediúnica começa quando o trabalhador para de perguntar apenas “o que estão fazendo comigo?” e passa a perguntar “o que eu estou permitindo em mim?”. Essa mudança altera todo o campo espiritual de trabalho. O médium deixa de ser alguém arrastado pelas influências e passa a ser alguém que participa da própria vigilância. Ele compreende que obsessores não encontram força apenas na sombra externa, mas naquilo que dentro dele aceita conversa com a sombra.


O obsessor não vence o médium responsável com facilidade porque não encontra nele permanência. Pode tentar sugerir, mas o médium observa. Pode tentar inflamar emoção, mas o médium respira e silencia. Pode tentar criar orgulho, mas o médium se recoloca no serviço. Pode tentar provocar mágoa, mas o médium procura a verdade antes da reação. Pode tentar desorganizar, mas o médium busca eixo. Pode tentar usar cansaço, mas o médium reconhece o limite sem transformar limite em licença.


Essa é a diferença entre fragilidade e displicência. A fragilidade pede cuidado. A displicência pede correção. A fragilidade diz: “estou com dificuldade, me ajudem a permanecer no caminho”. A displicência diz: “minha dificuldade me autoriza a não caminhar”. A fragilidade aproxima os Guardiões porque há verdade. A displicência atrai obsessores porque há brecha sustentada.


O médium não precisa ter medo da própria humanidade. Precisa parar de usá-la como abrigo para a irresponsabilidade. A humanidade é o terreno do aprendizado, não o álibi da estagnação. Encarnar é lidar com limites, mas também é desenvolver governo sobre si. O médium que trabalha com os Guardiões da Ordem da Luz precisa entender que não é chamado a ser impecável; é chamado a ser honesto, disciplinado, confiável e corrigível.


No fim, a desculpa mais perigosa não é “sou humano”. A mais perigosa é aquela que a pessoa consegue dizer sem sentir vergonha interior, mesmo sabendo que já recebeu orientação suficiente para agir melhor. Quando a consciência perde o constrangimento diante da própria negligência, ela entra em zona de endurecimento. E o endurecimento é mais grave do que o erro, porque o erro ainda pode doer; o endurecimento já aprendeu a justificar a dor que causa.


Os Guardiões trabalham para despertar essa consciência antes que ela se torne instrumento de confusão. Eles não fazem isso humilhando o médium, mas também não o bajulam. A presença deles é amorosa, porém firme. Eles sustentam, mas exigem. Protegem, mas corrigem. Amparam, mas não servem à mentira íntima de ninguém. A Luz não maltrata a fragilidade sincera, mas atravessa a desculpa quando ela começa a proteger a sombra.


Por isso, o caminho correto para o médium não é prometer perfeição. É abandonar o teatro da justificativa. É chegar diante da espiritualidade e dizer com simplicidade: “eu tenho usado minhas dores, meus limites e minha humanidade para adiar o que já sei que preciso corrigir. Não quero mais transformar desculpa em morada. Quero aprender a servir com mais verdade”.


Essa disposição muda a qualidade do campo mediúnico. O campo mental fica menos defensivo. O campo emocional fica menos reativo. O campo energético fica menos permeável às interferências. O campo espiritual de trabalho encontra mais sustentação.


A equipe dos Guardiões passa a ter mais acesso, porque a consciência deixou de proteger a própria sombra e começou a proteger o serviço.


A mediunidade amadurece quando o médium entende que ser humano não o diminui, mas também não o absolve de tudo. Ser humano é exatamente o motivo pelo qual ele precisa vigiar. Ser médium é exatamente o motivo pelo qual ele precisa amadurecer. Servir à Luz é exatamente o motivo pelo qual ele não pode continuar preferindo desculpas quando a verdade já lhe mostrou o caminho.


Fonte: Reiny Kamanishy - Guardiões da Ordem da Luz

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