Prece ao Mestre no Alto da Montanha
- silviarisilva
- há 1 dia
- 7 min de leitura

Mestre amado, o dia amanhece frio, e mesmo assim caminho ao seu encontro. A friagem da manhã parece convidar a alma ao recolhimento, o caminho está mais úmido, a terra guarda o silêncio da noite, o ar toca o rosto com delicadeza firme, e cada passo me ensina que nem sempre o encontro contigo acontece em dias quentes, claros e fáceis.
Às vezes, Mestre, é justamente no frio da manhã, quando tudo parece mais silencioso, que a alma escuta melhor a sua presença. Sigo passo a passo, subindo ao alto da montanha, não como quem carrega um esforço pesado, mas como quem possui uma certeza o seu amor aquece o meu coração.
E, enquanto caminho, sinto que não subo sozinha, sinto você ao meu lado, presença amiga, constante, discreta, acompanhando cada movimento, cada respiração, cada pensamento que se eleva em busca de paz.
Mestre, aqui do alto da montanha, o vento frio me convida a sentar, a silenciar por dentro, a olhar a vida com mais profundidade. Observo a natureza despertando, o sol começa a despontar timidamente no horizonte, chegando de mansinho, como quem não deseja ferir a delicadeza da manhã, mas apenas aquecer a terra com seus braços dourados.
A vida parece repousar por um instante entre o frio que ainda permanece e a luz que começa a nascer. Olho para o lado e te vejo, Mestre. Vejo você sorrindo com essa ternura que não precisa de muitas palavras para tocar o coração.
Você senta ao meu lado, meu amigo de jornada, meu companheiro silencioso, aquele que sempre se faz presente quando meu olhar te procura com sinceridade. Com sua doçura, olha para os vales sem julgamento, não se afasta da dor, mas também não se deixa vencer por ela.
Então me aponta uma direção, olho, Mestre, e vejo que, mesmo onde a dor parece ter criado morada, existem pontos de luz. Mesmo nos vales mais sofridos, onde tantas almas cultivam angústias, revoltas, culpas, ilusões e cansaços antigos, há mensageiros da luz caminhando entre aqueles que sofrem.
Vejo trabalhadores do amor, servidores da sua luz, almas firmes e abençoadas, dispostas a erguer quem deseja sair, quem deseja respirar novamente, quem ainda encontra, no fundo de si, uma pequena abertura para uma vida nova.
Vejo equipes fortes, serenas, preparadas, atravessando regiões de dor sem se deixarem envolver pela densidade que ali permanece. Vejo socorristas espirituais amparando sem condenar. Vejo equipes médicas espirituais cuidando de feridas que os olhos humanos não alcançam. Vejo os Lanceiros de Maria sustentando caminhos de proteção, respeito e misericórdia. Vejo os Guardiões da Ordem da Luz firmes em seu compromisso com o bem. Vejo os Guardiões da Justiça Divina atuando sob a lei, com retidão e amor, vejo tantas equipes reunidas em seu nome, trabalhando onde muitos não teriam coragem de olhar, estendendo as mãos onde a dor ainda grita, semeando esperança onde a sombra tentou convencer a alma de que não havia mais retorno. Por eles, Mestre, elevo meu amor em forma de gratidão.
Que minhas vibrações cheguem até esses trabalhadores, que meu respeito os alcance como uma flor simples depositada no caminho, que minha prece os envolva como brisa suave, não para interferir no trabalho que pertence a eles, mas para sustentar, com amor sincero, aqueles que servem sem buscar reconhecimento.
Abençoa, Jesus, as equipes socorristas, as equipes médicas espirituais, abençoa os Lanceiros de Maria, os Guardiões da Ordem da Luz, os Guardiões da Justiça Divina. Abençoa todos aqueles que, em seu nome Mestre, entram nos vales de dor para acolher, esclarecer, proteger, conduzir e levantar.
Que a sua luz os fortaleça, o seu amor os sustente, a sua paz os envolva, que a sua presença permaneça sobre cada tarefa, cada resgate, cada atendimento, cada espírito amparado, cada mão estendida.
Mestre, peço também ao irmão sol, que em seus raios dourados, suavemente adentre esses vales. Que sua luz não chegue como força que agride, mas como calor que desperta, que seus raios desçam com ternura sobre o frio das almas cansadas, sobre os corações endurecidos pela dor, sobre aqueles que já não se lembram de que foram criados para a luz.
Que uma fagulha, ao menos uma, do amor e da paz possa ser despertada no íntimo de cada espírito que sofre. Que os moradores desses vales possam olhar para o alto, ainda que por um breve instante, e perceber que a criação não se esqueceu deles, o amor de Deus não se retirou, e a vida continua chamando, a luz continua esperando, que sempre existe uma direção para quem deseja verdadeiramente caminhar.
Sinto, Mestre, o perfume suave da manhã chegando com a brisa, esse aroma discreto desperta lembranças de momentos bons, lembranças que fazem o rosto sorrir por dentro, recordações simples, mas capazes de devolver à alma a sensação de que a vida ainda pode ser bela.
Que essa suavidade percorra também os vales, que a brisa leve o perfume da vida que renasce a cada alvorecer, e ela toque aqueles que estão cansados, aqueles que se esqueceram da esperança, que já não sabem chorar, e ainda resistem por medo, por orgulho, por revolta, por não acreditarem que possam ser acolhidos.
Que o frescor da manhã alivie, mesmo que por instantes, o peso das consciências atormentadas, e o aroma das flores espirituais recorde às almas que existe beleza além da dor, na delicadeza do amanhecer abra pequenas frestas onde antes havia apenas fechamento.
Mestre amado, sustenta aqueles que caminham nos vales em seu nome, sustenta aqueles que estendem as mãos, os irmãos e irmãs abençoados que trabalham no silêncio, sem vaidade, sem exigência de gratidão, sem se colocarem acima de ninguém.
Eles são guerreiros da luz e do amor, não pela dureza, mas pela coragem de amar onde o amor foi esquecido. Não pela imposição, mas pela fidelidade ao bem, pela capacidade de atravessar a dor sem perder a própria luz.
Que nosso amor, Mestre, possa cobrir os vales de sofrimento como gotas de orvalho sobre a terra ferida. Que essas gotas purifiquem o ar, renovem a esperança, suavizando as emanações de tristeza, dissolvendo, pouco a pouco, o véu da ilusão que impede tantos irmãos de reconhecerem a mão estendida.
Que cada vibração de amor seja uma pequena semente luminosa, cada pensamento de paz seja uma abertura no caminho, e cada prece sincera se una ao trabalho das equipes espirituais, sem interferir, sem comandar, sem desejar saber mais do que a luz sabe, mas apenas servindo com humildade, respeito e confiança.
Gratidão, Mestre, por estar sempre ao meu lado. Gratidão por caminhar comigo quando a estrada é clara e também quando a manhã é fria. Gratidão por me ensinar que a vida é um presente precioso, e que não devemos desperdiçá-la em lamentações intermináveis, em rancores guardados, em revoltas alimentadas, em desamor cultivado, em conflitos que poderiam ser evitados, em palavras que ferem, em escolhas que nos afastam da luz.
Ensina-nos, Jesus, a compreender que muitos vales começam dentro da alma antes de se tornarem morada espiritual. Um pensamento repetido na amargura, uma mágoa alimentada todos os dias, uma revolta protegida como se fosse justiça, um orgulho que impede o perdão, uma tristeza transformada em identidade, uma culpa que não aceita reparação, um desamor que se instala devagar até que a alma passe a respirar a própria dor.
Que possamos vigiar, Mestre, não com medo, mas com consciência. Que possamos escolher melhor enquanto estamos no caminho. Que possamos dissolver em nós aquilo que, por afinidade, poderia um dia nos conduzir aos lugares de sofrimento que hoje contemplamos com compaixão.
Que possamos aprender a ser sol, aquecendo sem ferir, a ser brisa, aliviando sem impor, a ser orvalho, purificando em silêncio, que aprendamos a ser aroma de flores, espalhando suavidade por onde passarmos, a ser presença de paz, lembrando aos corações cansados que a vida é uma dádiva de Deus e que a sua presença é luz a nos guiar.
Mestre amado, que, ao descer desta montanha, eu não deixe aqui a prece que fiz. Que eu leve comigo o compromisso, que meus olhos sejam mais compassivos, que minhas palavras sejam mais cuidadosas, que meus pensamentos sejam mais limpos, que minhas atitudes sejam mais coerentes com a luz que busco, que meu coração não se esqueça daquilo que viu do alto.
Que eu não contemple os vales apenas com emoção, mas com responsabilidade, que eu não fale de amor sem praticar o amor nas pequenas situações. Que eu não peça paz ao mundo espiritual enquanto cultivo conflitos desnecessários na vida diária. Que eu não deseje auxiliar os que sofrem se ainda alimento, em mim, as mesmas sombras que desejo ver dissolvidas nos outros.
Jesus, faz de mim uma presença mais simples, mais verdadeira, mais serena, mais útil ao bem.
Que eu saiba recolher-me quando for necessário. que eu saiba falar quando a luz pedir. Que eu saiba silenciar quando o silêncio for caridade, que eu saiba orar sem orgulho, que eu saiba servir sem vaidade, que eu saiba amar sem exigir retorno.
E quando o frio da vida me alcançar, quando o caminho parecer úmido e difícil, quando a subida parecer longa, que eu me lembre deste amanhecer. Que eu me lembre do seu sorriso ao meu lado, me lembre do sol nascendo devagar, me lembre das equipes caminhando nos vales. Que eu me lembre de que nenhuma dor está completamente esquecida quando há amor trabalhando em silêncio.
Mestre amado, recebe minha gratidão, minha vibração, meu respeito e meu desejo sincero de aprender a amar melhor.
Que a luz alcance os vales, que o amor sustente os trabalhadores, que a esperança desperte os que sofrem, que a paz envolva os corações cansados, que a vida renasça onde a dor parecia ter vencido e que, em cada novo amanhecer, possamos recordar que o sol nasce para todos, a brisa toca todos, o orvalho suaviza todos, e o amor de Deus continua procurando, com infinita paciência, cada filho que ainda não conseguiu encontrar o caminho de volta.
Assim seja, em nome da luz, na força do amor, na sua bênção Mestre Jesus e na gratidão eterna aos trabalhadores da luz que servem, socorrem, amparam e semeiam esperança nos vales onde a dor ainda espera pelo alvorecer.
Com Carinho Irmã Lídia!
Fonte: Reiny Kamanishy - Irmã Lídia - Mentora Espiritual



Comentários